APRESENTAÇÃO DA TEMÁTICA MACROBIÓTICA

A doença surge de viver em desarmonia com a natureza. Os sintomas, que são amiúde confundidos com a própria doença, são formas que o organismo possui para recuperar o equilíbrio. A febre, um dos mecanismos básicos da resposta inflamatória, é uma forma de restabelecimento do equilíbrio. O espirro, que visa a eliminação de substâncias irritantes das vias respiratórias, consiste numa forma de restabelecimento do  equilíbrio e o mesmo se aplica à maioria dos casos de vômitos, diarreias, inflamações e de muitos outros sintomas. No entanto, e em face da atitude que hoje em dia se observa nas condutas terapêuticas correntes, essa noção parece ter sido esquecida e os sintomas são frequentemente encarados como os inimigos públicos nº1. Prova disso são os inúmeros fármacos “anti”: anti-inflamatórios, antipiréticos, anti-eméticos, antidiarreicos, antitússicos, etc.

Apesar de nalgumas circunstâncias estes fármacos podem consistir numa via eficaz para tentar repor o equilíbrio, principalmente quando o próprio sintoma coloca em causa uma vida, é muito provável que na maioria das situações a sua utilização seja totalmente desnecessária e até contraproducente, já que, por um lado vai criar obstáculos à regeneração do organismo e, por outro, expor todo o ambiente sanguíneo e celular a uma série de produtos químicos raramente destituídos de efeitos colaterais. Como consequência, há como que um processo de camuflagem da doença, já que o incômodo gerado pelo sintoma tende a ser atenuado, mas o preço a pagar parece ser mais elevado, na medida em que não se permitiu ao organismo desencadear todas as fases necessárias à resolução do problema, levando como que a um “afundamento” do mesmo.

Este aspeto não se circunscreve à medicina alopática. Na realidade, parece permear uma grande fatia da atitude terapêutica humana. Mesmo em medicinas alternativas e complementares se observa esta postura. Uma vantagem destas últimas consiste no facto dos seus tratamentos se revestirem, de um modo geral, de menos efeitos colaterais para o organismo.

Em macrobiótica, como de um modo geral na medicina oriental, a doença é diagnosticada em função da condição existente entre as forças dinâmicas yin e yang no organismo. Face a esse diagnóstico, os remédios caseiros macrobióticos visam a reposição do equilíbrio energético associado à doença de forma a estimular a capacidade inata de auto-regeneração do organismo.

Muitos dos problemas físicos estão relacionados com uma má alimentação, numa correlação muito direta, como sejam diabetes, doenças cardiovasculares, alergias, alguns tipos de cancro, etc. Contudo, e pelo facto do organismo ser constituído por várias facetas, todas elas interligadas, o que se passa nos planos mental, emocional e espiritual não estão dissociados da condição física, da qualidade do sangue que banha e nutre todas as células do organismo, nomeadamente as do sistema nervoso. Assim, alguns remédios caseiros estão também indicados para distúrbios do sistema nervoso e para perturbações emocionais.

Em macrobiótica, mais do que se preconizar soluções para questões pontuais, aconselham-se soluções para uso corrente, mais do que apresentar soluções para a doença, promove-se a saúde através de uma alimentação e de uma postura de vida adequada ao Homem e em equilíbrio com a natureza. Não obstante, e porque “viver em harmonia com a natureza” não é uma tarefa clara e simples, os remédios caseiros constituem-se como forma bastante inócua de ajudar o organismo a repor o equilíbrio. Em caso de doença, o ideal, sempre que possível, é simplificar a alimentação (à base de cereais cozidos como o arroz integral e a cevada, alguns legumes e os líquidos necessários) e em repouso, que permitem que o organismo gere e utilize todos os mecanismos que possui para eliminar as causas subjacentes geradoras do desequilíbrio.

Fonte: Livro “Remédios caseiros”, de Francisco Varatojo

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